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Mostrando postagens de outubro, 2026

O ESPANTALHO - Conto - Henri Févre

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O ESPANTALHO Henri Févre (1864 – 1837) Tradução de I. (Início do séc. XX)     Os pássaros davam cabo da horta. Não havia fruto em que não deixassem sinal. Os bicos gulosos picavam tudo. A senhora Mutinot, desolada, disse: —Hei de fazer um espantalho. E, como herdara algumas vestes de um tio seu, vestiu a cruz grosseira de um espantalho de um modo decente. Uma calça de fazenda marrom, que tinha a parte posterior remendada com um pano verde. Uma camisa de cor, um sobretudo antigo de largas pontas quadradas, e um chapéu de palha, que parecia ter servido muito tempo de esteira, mas que ainda estava em perfeito estado. Desse modo, qualquer um diria: — Isso está muito próprio — como observou a senhora Mutinot, retrocedendo para observar o efeito, depois de deixar levantado o espantalho na horta. E ela andava satisfeita. Indo pelo caminho que conduzia à aldeia, encontrou-se com dois soldados que vinham a cavalo. —Será que vêm prender alguém? — perguntou a si própria. Depois, meteu-se...

OS PODERES DO OURO - Conto - Francisco Rodrigues Lobo

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OS PODERES DO OURO Francisco Rodrigues Lobo (1580 - 1622)     Houve em Itália, e em um dos mais conhecidos lugares dela, um honrado pai de famílias, nobilíssimo por geração, rico de bens procedidos da herança e nobreza antiga de seus passados, dotado de muitas partes e graças naturais, e tão liberal do que possuía, que mais parecia despenseiro das riquezas que carcereiro delas. Teve este em sua mocidade um filho tão industrioso e esperto nos negócios da mercancia, que ajuntou em poucos anos grande cópia de dinheiro, o qual ele guardava com tão solícito cuidado, como costumam os que com cobiça e trabalhos o adquiriram, e era notável espanto aos naturais verem em um velho a largueza e liberalidade de mancebo, e em o filho a avareza e tenacidade de velho. O pai, que o via responder tão mal a suas inclinações, e que já com a idade e continuação de gastar largo estava menos rico, muitas vezes lhe dizia, e aconselhava com brandura, que conservasse, com o que ganhara, a honra que tin...

O REMENDÃO QUE FOI REI - Crônica - Autor anônimo do séc. XX

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O REMENDÃO QUE FOI REI Autor anônimo do séc. XX   No começo do século XV, nos tempos de Filipe, o Bom [1] , filho de João Sem Medo e duque de Borgonha, deu-se um caso que lembra um conto de fadas. Uma noite, o duque, que ia a Bourges, encontrou um sapateiro remendão, que dormia profundamente à beira da estrada. Desejando divertir-se à custa do infeliz, mandou que os seus criados o levassem, assim adormecido, para o paço, o despissem dos andrajos que levava e o colocassem vestido com riquíssimo traje de noite no seu próprio leito. Quando o pobre homem acordou na manhã seguinte e se viu rodeado de pajens e escudeiros, julgou ter enlouquecido. Em vão, jurou que não era o duque. A criadagem, porém, tratando-o como tal, perguntou-lhe que roupas desejava vestir nesse dia, e, por fim, foi levado com grande pompa e magnificamente ataviado, a ouvir missa na capela ducal. Todo o cerimonial correspondente a tão alta personagem foi observado rigorosamente. O sapateiro deu audiência sentado no ...