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Mostrando postagens de 2018

JACOPO MARINI - Conto Trágico - Adolphe Carle

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JACOPO MARINI Por Adolphe Carle (1804  - 1891) Tradução de Roberto Augusto Colin (séc. XIX) Jacopo Marini, um dos tipos mais enérgicos desses montanheses sicilianos, que são ao mesmo tempo proprietários, caçadores, contrabandistas, e sempre algum tanto assassinos, ainda que votados de coração e alma à religião católica, apostólica e romana, tornou-se excessivamente apaixonado da bela Lúcia, rapariga das vizinhanças de Randazzo. Lúcia era uma jovem morena do melhor sangue, tinha uma perfeição de formas sedutoras, uma viveza e volubilidade incontíveis, uma alegria simpática a ponto de arrebatar todos os corações. Desde Girgenti até Messina, desde o cabo de Passaro até Palermo, os encantos de Lúcia eram tão célebres, e seus numerosos admiradores, por esperança ou por despeito, tinham contribuído para espalhar a sua fama até os vales mais retirados da Sicília. Com a chegada de Marini, todos os pretendentes foram dispensados. Jacopo era um partido muito conveniente. Sua

SERÁ ARTE? — Artigo de Giovani C. Soares

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SERÁ ARTE? Por Giovani C. Soares Frequentemente somos expostos a variadas expressões “artísticas” e diante delas é inevitável a comparação com as admiráveis obras de grandes poetas, pintores, compositores, escultores de todos os tempos. Sentimos, então, que há algo faltando nessas manifestações culturais ou em nossa percepção artística, que nos possibilite identificar a autenticidade dessas obras de arte . Colocando à parte a avaliação quanto ao valor da afirmada obra de arte – o que seria necessário um outro ensaio sobre o tema – precisamos antes identificar o que é uma obra de arte . Essa a finalidade deste ensaio, que visa apresentar um critério seguro para quem se encontra naquela incerteza a que nos referimos. Quem define a Arte, apresentando seu sentido e alcance, é a Filosofia e não a própria Arte. Ou seja, um filósofo da arte e não um artista, propriamente dito. Isto é assim na Matemática, no Direito, na Antropologia, nas Ciências, em todas as áreas do

LANÇAMENTO DA BURURU EDITORIAL: HORROR ORIENTAL: CONTOS POPULARES FANTÁSTICOS E SOBRENATURAIS

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HORROR ORIENTAL – CONTOS POPULARES FANTÁSTICOS E SOBRENATURAIS Lua Bueno Cyríaco (organizadora) HORROR ORIENTAL – CONTOS POPULARES FANTÁSTICOS E SOBRENATURAIS – é uma coletânea ilustrada de contos de autores orientais que datam do século III ao início do século XX. Reúne autores que se valeram da tradição oral popular para escreverem as suas obras. Nessa edição, terá o leitor traduções inéditas para a língua portuguesa, de autoria de Paulo Soriano e Lua Bueno Cyríaco,   de narrativas tradicionais da China, Japão e Coréia, escritas, dentre outros, por Gan Bao (285-366),  Pu Songling (1640-1715), Koizumi Yakumo (1850-1904) e Im Bang (1640-1722). Fantasmas que sangram, cadáveres deambulantes que perseguem implacavelmente os vivos, demônios escondidos sob peles humanas, animais fantásticos, monstros hediondos que atacam os viajantes nas estradas, monges que lutam contra o maligno, aparições e vinganças de além-túmulo... Eis o universo sobrenatural e imensamente macabro

UM PRISIONEIRO NUMA MASMORRA PROFUNDA - Narrativa de Anne Bronte

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UM PRISIONEIRO NUMA MASMORRA PROFUNDA Anne Brontë   (1820-1849) Numa masmorra profunda, um prisioneiro permanecia sentado em silenciosa reflexão. A cabeça descanava em sua mão e os cotovelos sobre os joelhos. Projetava os seus pensamentos para os tempos futuros. Ou será que eles se voltavam para o passado? É pela liberdade que ele padece agora? Ou sofre pelo luto do passado? Faz tanto tempo que ele vive em cativeiro, mergulhado na penumbra do calabouço, que o arrependimento ficou para trás e a esperança feneceu. Deixou de lamentar a própria desgraça. Já não aspira à luz do dia, nem mais suspira pela liberdade. Estes pensamentos não mais atormentam a sua fronte ardente. Perdido em um labirinto de pensamentos errantes, permanece imóvel. Sua postura e o seu olhar proclamam o estupor do desespero. Todavia, nem sempre esse estado de espírito, de soturna tranquilidade, prevaleceu. Havia algo em seus olhos que contava outra história, que não falava da razão perdida, nem

ARÁBIA - Conto de James Joyce

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ARÁBIA James Joyce  (1882 – 1941) A obscura rua de North Richmond era bastante sossegada a qualquer hora, exceto quando a meninada saía do Chistian Brother’s School. Num dos extremos, ficava uma casa desabitada de dois andares; os outros prédios, conscientes das vidas respeitáveis que neles decorriam, defrontavam-se com ar imperturbável. O primeiro inquilino que a nossa casa teve foi um padre que morreu numa sala dos fundos. O ambiente, em todos os quartos, estava impregnado de um odor bolorento por terem permanecido fechados durante muito tempo. O de guardados, ao lado da cozinha, achava-se literalmente cheio de papéis velhos, de jornais e livros. Entre estes, encontrei alguns de páginas dobradas e úmidas: “O Abade”, de Walter Scott [1] , “O Comungante Piedoso” e as “Memórias” de Vidocq [2] . Gostava mais deste último pelo fato de ter ele folhas amareladas. O quintal, inculto, que havia atrás da casa, tinha uma macieira no centro e alguns arbustos plantados ao acaso.

MASETTO E AS MONJAS - Conto humorístico de Giovanni Boccaccio

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MASETTO E AS MONJAS   Giovanni Boccaccio (1313 – 1375) Em nossa região havia, e ainda há, um mosteiro feminino, muito famoso por sua santidade, e cujo nome não revelarei para em nada diminuir a sua fama. Nesse mosteiro, não faz muito tempo, havia não mais que oito monjas e uma abadessa, todas jovens. Um bom homenzinho era o hortelão de seu lindíssimo jardim. Porém, o jardineiro, insatisfeito com o salário, pediu a conta ao mordomo [1] das monjas, e voltou para Lamporecchio, sua terra de origem. Ali, entre os demais, que o receberam alegremente, havia um jovem lavrador, forte e robusto — bem-apessoado para um camponês —, chamado Masetto, que perguntou ao hortelão onde estivera por tanto tempo. O bom homem, que se chamava Nuto, contou-lhe. Masetto indagou-lhe, então, o que fazia no convento. Nuto respondeu: — Eu trabalhava num jardim, belo e grande. Além disto, ia, de quando em quando, ao bosque buscar lenha. Trazia água e fazia outros pequenos serviços. Mas as senh