O ESPANTALHO - Conto - Henri Févre
O ESPANTALHO Henri Févre (1864 – 1837) Tradução de I. (Início do séc. XX) Os pássaros davam cabo da horta. Não havia fruto em que não deixassem sinal. Os bicos gulosos picavam tudo. A senhora Mutinot, desolada, disse: —Hei de fazer um espantalho. E, como herdara algumas vestes de um tio seu, vestiu a cruz grosseira de um espantalho de um modo decente. Uma calça de fazenda marrom, que tinha a parte posterior remendada com um pano verde. Uma camisa de cor, um sobretudo antigo de largas pontas quadradas, e um chapéu de palha, que parecia ter servido muito tempo de esteira, mas que ainda estava em perfeito estado. Desse modo, qualquer um diria: — Isso está muito próprio — como observou a senhora Mutinot, retrocedendo para observar o efeito, depois de deixar levantado o espantalho na horta. E ela andava satisfeita. Indo pelo caminho que conduzia à aldeia, encontrou-se com dois soldados que vinham a cavalo. —Será que vêm prender alguém? — perguntou a si própria. Depois, meteu-se...