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A ESPERA - Conto - Guy de Maupassant

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A ESPERA Guy de Maupassant (1850 – 1893) Tradução de autor anônimo do séc. XX Na sala de fumar, conversavam, depois do jantar, alguns senhores. Falava-se de heranças inesperadas e bizarras. Então, o Sr. Le Brument, que chamavam “ilustre mestre, ilustre advogado”, veio para perto da lareira. — Eu tenho, neste momento, a incumbência de procurar um herdeiro desaparecido em circunstâncias particularmente terríveis. É um desses dramas simples e ferozes da vida comum; uma coisa que pode suceder em cada dia, e que, no entanto, é um dos mais horríveis casos que conheço. Ei-lo: “ Há mais ou menos seis meses, fui chamado para ouvir uma senhora moribunda, que me disse: ‘— Senhor, eu queria encarregá-lo da missão mais delicada, difícil e longa que se pode imaginar. Tome, primeiramente, conhecimento do meu testamento, que está sobre aquela mesa. Uma soma de cinco mil francos lhe é legada, como honorários, se o senhor não for bem sucedido, e de cem mil francos se o for. É preciso achar meu ...

IDÍLIO - Conto - Guy de Maupassant

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IDÍLIO Guy de Maupassant (1850 — 1893) Tradução de autor anônimo do séc. XX O trem deixara Gênova, indo para Marselha e seguindo as longas ondulações da costa rochosa, escorregando como serpente de ferro entre o mar e a montanha, arrastando-se pelas praias de areia amarela que pequenas vagas debruavam com uma rede prateada, e entrando bruscamente na goela negra dos túneis como uma fera no seu esconderijo. No último carro do trem, uma mulher corpulenta e um rapaz estavam sentados um diante do outro, sem se falarem, e olhando-se de vez em quando. Ela tinha talvez vinte e cinco anos, e, sentada junto à janela, contemplava a paisagem. Era uma forte camponesa do Piemonte, de olhos negros, busto volumoso, faces carnudas. Metera vários embrulhos debaixo do banco, conservando nos joelhos um cesto. Ele andava pelos seus vinte anos; magro, queimado, com essa tez escura dos homens que trabalham na terra ao sol. Junto a si, num lenço, toda a sua fortuna: um par de sapatos, uma camisa, uma cuec...

A SENHORITA PÉROLA - Conto - Guy de Maupassant

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A SENHORITA PÉROLA Guy de Maupassant (1850 – 1893) Tradução de autor anônimo do séc. XX. Que ideia mesmo esquisita que eu tive, naquela noite, de eleger rainha a senhorita Pérola! Todos os anos eu ia passar a festa de Reis na casa do meu amigo, o Sr. Chantal. Era um costume que tinha desde menino; meu pai, amigo íntimo de Chantal, me levava lá todos os anos. Depois, continuei e continuarei sempre praticando o mesmo costume, enquanto tiver vida e houver um Chantal no mundo. Os Chantal, seja dito de passagem, levam uma vida ainda mais provincial que se morassem em Grasse, Yvetet ou Pont-à-Mousson. Possuem uma casa rodeada de um pequeno jardim. Ali vivem como se tivessem na província. Não conhecem nada, não estão a par de coisa alguma. Para eles, toda a parte de Paris situada do outro lado do Sena constitui os bairros novos, habitados por uma população enlouquecida, pouco honrada, que passa os dias na dissipação, as noites em festas. De vez em quando, entretanto, levam as filhas à Ópe...