BARBERC E OS FAQUIRES - Conto Humorístico - Voltaire
BARBERC E OS FAQUIRES Voltaire (1694 – 1778) Quando estive na cidade de Varanasi, à margem do Ganges, antiga pátria dos brâmanes, procurei instruir-me. Entendia regularmente o hindu. Escutava muito e observa tudo. Hospedara-me em casa do meu correspondente Omri. Era o homem mais digno que jamais conhecera. Pertencia à religião de Brahma, enquanto eu tinha a honra de ser muçulmano. Não obstante, nunca tivemos a menor discussão a respeito de Maomé e de seus deuses. Fazíamos nossas abluções cada qual por seu lado, bebíamos a mesma limonada e comíamos o mesmo arroz como dois irmãos. Fomos juntos um dia ao templo hinduísta de Gavani e, aí, vimos diversos grupos de faquires, dos quais uns eram janguis , isto é, contemplativos, os outros discípulos dos antigos gimnosofistas [1] que levavam vida ativa. Usam, como todos sabem, uma língua erudita, a dos velhos brâmanes, cujo livro sagrado é chamado Veda . É o livro mais antigo da Ásia, mesmo sem excetuar o Zend-Avesta . Passei...