OS LOUCOS - Crônica - Miguel Sawa
OS LOUCOS Miguel Sawa (1866 – 1910) Tradução de autor anônimo do séc. XX Saíram de Lugo dezessete dementes, condenados à pena de reclusão perpétua no manicômio de Valhadolide. Já no trem, os reclusos, depois de se examinarem, receosos, começaram a falar entre si. —Eu — disse um deles —, segundo os médicos, estou mal da cabeça. E não é verdade. Se gasto o dinheiro em farras é porque é meu. Bom suor me custou ganha-lo lá nas terras da América. Mas minha mulher foi queixar-se ao juiz de que eu a estava arruinando. E o juiz mandou chamar um médico para me examinar. E o médico, comprado pela minha mulher, declarou-me louco. E é por isso que me levam para o manicômio, é por isso. —Eu — disse outro —, não estou certo de minha razão. Surpreendi minha noiva falando tarde da noite com um homem e caí sobre ela. Ele fugiu covardemente, abandonando-a à minha ira, e eu me fartei de retalhá-la a golpes de navalha. Vieram os guardas e me prenderam. Eu chorava e ria a um só tempo e dava gritos e ...