IDÍLIO - Conto - Guy de Maupassant
IDÍLIO Guy de Maupassant (1850 — 1893) Tradução de autor anônimo do séc. XX O trem deixara Gênova, indo para Marselha e seguindo as longas ondulações da costa rochosa, escorregando como serpente de ferro entre o mar e a montanha, arrastando-se pelas praias de areia amarela que pequenas vagas debruavam com uma rede prateada, e entrando bruscamente na goela negra dos túneis como uma fera no seu esconderijo. No último carro do trem, uma mulher corpulenta e um rapaz estavam sentados um diante do outro, sem se falarem, e olhando-se de vez em quando. Ela tinha talvez vinte e cinco anos, e, sentada junto à janela, contemplava a paisagem. Era uma forte camponesa do Piemonte, de olhos negros, busto volumoso, faces carnudas. Metera vários embrulhos debaixo do banco, conservando nos joelhos um cesto. Ele andava pelos seus vinte anos; magro, queimado, com essa tez escura dos homens que trabalham na terra ao sol. Junto a si, num lenço, toda a sua fortuna: um par de sapatos, uma camisa, uma cuec...