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UMA MÃO LAVA A OUTRA - Conto Humorísitco - Anônimo do séc. XX

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UMA MÃO LAVA A OUTRA Autor anônimo do séc. XX Um advogado americano sem causas resolveu ir para o Far West tentar fortuna. Sem dinheiro, mas cheio de audácia, tomou lugar num trem de luxo que partia para Nashville, esquecendo-se, naturalmente, de comprar a respectiva passagem. Mal o comboio deixou a estação, o condutor aproximou-se e pediu-lhe: — Seu bilhete, por favor! — Não tenho bilhete! Mas — acrescentou — faço parte da redação do Daily News de Nashville. — Mostre sua carteira de jornalista! — Oh! Diabo! Com a pressa, esqueci-me de trazê-la! — retrucou o passageiro, examinando os bolsos. — Pois então o senhor tem de pagar a passagem, a menos que seja formalmente reconhecido pelo seu diretor, que se acha justamente no primeiro carro — intimou, categórico, o homenzinho. E, sem mais delongas, seguiram ambos pelo corredor central que atravessa todos os trens americanos, e chegaram diante do poderoso diretor do Daily News , a quem o condutor explicou a situação i...

UMA CALÚNIA - Conto - Anton Tchekhov

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UMA CALÚNIA Anton Tchek hov Tradução de autor anônimo do séc. XX O professor de caligrafia Sergey Kapitonech Akhineiev casava a sua filha Natália com o professor de história e geografia Ivan Petrovich Lochdinei. A festa se realizava no meio da maior alegria. No salão se cantava, jogava e dançava. Corriam de um lado para outro das salas os criados emprestados pelo clube, vestidos de negras casacas e brancas gravatas, bem sujas. Reinava em toda a casa alegre rumor de conversas. O professor de matemática Tarantuloff, o francês Pasdequoi e o inspetor de segunda cate g oria da Câmara de Comprovação, Egor Venedictech Mzda, sentados em fila no divã, relatavam, um depois do outro, a alguns convidados, casos de enterrados vivos e expunham a sua opinião sobre o espiritismo. Nenhum dos três acreditava nisso, mas admitiam que neste mundo há muitas coisas que a inteligência a humana não pode conceber. Na sala contígua, o professor de literatura Duduski explicava a outro grupo de convidados...

DOM FELICE E ISABETTA - Conto Humorístico - Giovanni Boccaccio

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DOM FELICE E ISABETTA Giovanni Boccaccio (1313 – 1375) Segundo ouvi dizer, nas cercanias do convento de São Pancrácio vivia um homem bom e rico chamado Puccio di Rinieri. Este, tendo-se entregado completamente às coisas espirituais, fez-se terciário 1 de São Francisco, e adotou o nome de Irmão Puccio. Seguindo sua vida espiritual — e como de familiares só tivesse a mulher e uma criada, e não precisava ocupar-se em nenhum ofício —, frequentava muito a igreja. E porque era um homem simples e naturalmente rústico, rezava os seus pais-nossos, ia aos sermões e às missas, e nunca faltava às laudes cantadas pelos seculares. Puccio jejuava e se disciplinava, e comentava-se que pertencia aos flagelantes 2 . A mulher, a quem chamavam senhora Isabetta, jovem de apenas vinte e oito anos, fresca, bela e roliça como uma maçã casolana 3 , pela santidade e talvez idade do marido, encontrava-se, frequentemente, em longos estados de abstenções, bem mais longos do que poderia desejar. E quando que...

A MORTE DO AVARENTO GRANDET - Excerto - Honoré de Balzac

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A MORTE DO AVARENTO GRANDET Honoré de Balzac (1799 – 1850) Tradução livre de A. G. dos Santos (Sec. XIX) No ano de 1825, Grandet, sentindo o peso das enfermidades, teve de iniciar sua filha nos segredos de sua fortuna territorial, e disse-lhe que, no caso de dificuldades, fosse entender-se com Cruchot, o tabelião, cuja probidade havia ele experimentado. Mais tarde, em fins do mesmo ano, e contando setenta e nove de idade, foi o bom homem atacado de uma paralisia, que fez rápidos progressos. M. Gtandet foi condenado por M. Bergèrie. Pensando que ia, em breve, achar-se só no mundo, Eugênia conservou-se, por assim dizer, mais perto de seu pai e estreitou mais firmemente o último elo de afeição que a ligava à sociedade. Fez prodígios de solicitudes e de atenção para com seu velho pai, cujas faculdades começavam a declinar, mas cuja avareza sustentava-se com por instinto. Não obstante, a morte deste homem não diferiu de sua vida. Logo pela manhã, fazia-se rodar entre a chaminé de se...

O VOTO DO SENHOR VAN DEN TRUFF - Conto Humorísitico - Armand Silvestre

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O VOTO DO SENHOR VAN DEN TRUFF Armand Silvestre (1837 – 1901) Tradução de autor anônimo do séc. XX I O Sr. Van den Truff era um homenzinho baixo e gordo, de grandes suíças em forma de barbatanas, abdômen proeminente, pernas delgadas e tortas, e com um ar de importância que dava mesmo vontade de lhe encher a cara de bofetadas. O desastrado que lhe puxasse pela lingua ouvir-lhe-ia decerto mais futilidades do que bons conceitos, porque o pretensioso sujeito assemelha-se a um odre cheio de vento do que uma ânfora de vinho generoso. No entanto, como era um pedante enfatuado e todo presumido de ciência tudesca, o Sr. Van den Truff, na pequena cidade em que vivia, dava leis em política e passava pelo mais ativo agente das ambições germânicas d'além do rio Mosa. Estava sempre falando na Alemanha; na destruição das raças latinas que, a seu ver, tinham os seus dias contados; na necessidade de um império que aproveitasse a obra de Carlos Magno: e, finalmente, na prussificação de t...