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UMA CALÚNIA - Conto - Anton Tchekhov

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UMA CALÚNIA Anton Tchek hov Tradução de autor anônimo do séc. XX O professor de caligrafia Sergey Kapitonech Akhineiev casava a sua filha Natália com o professor de história e geografia Ivan Petrovich Lochdinei. A festa se realizava no meio da maior alegria. No salão se cantava, jogava e dançava. Corriam de um lado para outro das salas os criados emprestados pelo clube, vestidos de negras casacas e brancas gravatas, bem sujas. Reinava em toda a casa alegre rumor de conversas. O professor de matemática Tarantuloff, o francês Pasdequoi e o inspetor de segunda cate g oria da Câmara de Comprovação, Egor Venedictech Mzda, sentados em fila no divã, relatavam, um depois do outro, a alguns convidados, casos de enterrados vivos e expunham a sua opinião sobre o espiritismo. Nenhum dos três acreditava nisso, mas admitiam que neste mundo há muitas coisas que a inteligência a humana não pode conceber. Na sala contígua, o professor de literatura Duduski explicava a outro grupo de convidados...

O ORADOR - Conto Humorístico - Anton Tchekhov

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  O ORADOR Anton Tchekhov (1860 – 1904) Tradução de autor desconhecido do séc. XX O enterro de Kiril Ivanovich Vavilienski, falecido em consequência de duas moléstias muito frequentes em nossa pátria — o alcoolismo e a mulher iracunda — realiza-se numa radiante manhã. Quando o cortejo inicia a caminhada para o cemitério, um tal Polplavisko, companheiro do defunto, aparta-se de dele, toma um carro e ordena que o levem a toda pressa à casa de seu amigo Grigori Petrovich Zapoikin, moço ainda e, não obstante, muito popular. A maioria dos leitores talvez conheça o talento extraordinário de Zapoikin para pronunciar discursos e improvisos em todas as circunstâncias da vida, como casamentos, aniversários, enterros. Fala a qualquer hora, recém-acordado, em trajes menores, bêbado ou com febre. Discursa com extrema facilidade e eloquência, como jato d’água que rebenta do cano, usando, em seu vocabulário, palavras capazes de enternecer a rocha. Seus discursos são sempre calorosos e enorm...

A JOIA ROUBADA - Conto - Anton Tchekhov

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  A JOIA ROUBADA Anton Tchekhov (1860 – 1904)   Machenka Pavlezkaya, jovem recém-sa­ída do pensionato, de volta do passeio, entra na casa de Cuchin, onde serve como governanta. O porteiro Mikail, que lhe abre a porta, está agi­tado e vermelho como um caranguejo.  “De cima vem um barulho esquisito. A patroa, com certeza, teve um ataque...”, pensa Machenka. “Ou então brigou com o marido.” Na antessala e no corredor, cruza as com mocinhas da casa, uma das quais chora. Aproximando-se de seu quarto, vê o dono, Nicolai Serguievitch, que dele sai a toda pressa. Não é um homem velho, mas tem a cara enrugada e ostenta uma vasta calva. Seu corpo estremece... Passa levantando os braços, e ex­clama, sem perceber a presença da governanta: — Que horror! Que falta de delicadeza! Tolice! Abominável! Machenka entra em seu quarto e, pela pri­meira vez na vida, experimenta o vivo senti­mento que sofrem constantemente as pessoas condenadas a depender de gente rica.  Ef...

SUBMISSÃO - Conto de Anton Tchekhov

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SUBMISSÃO Anton Tchekhov (1860 – 1904)   Há poucos dias, chamei Yulia Vasilievna, a governanta de meus filhos, para vir ao meu escritório. Precisávamos acertar  as contas. — Sente-se, Yulia Vasilievna — disse-lhe. —  Vamos acertar nossas contas. Você certamente precisa de dinheiro, mas é tão cerimoniosa que nem mesmo veio me pedir... Vejamos... Combinamos trinta rublos por mês... — Quarenta... — Não. Foram trinta... Eu tenho tudo anotado. Sempre paguei trinta rublos às governantas... Vejamos... Você está conosco há dois meses... — Dois meses e cinco dias... — Dois meses completos. Eu tenho aqui anotado. Você tem, portanto, direito a sessenta rublos... Mas temos que descontar nove domingos... Porque aos domingos você não dava aulas a Kolia, somente o levava para passear... mais três dias de feriado... O rosto de Yulia Vasilievna tingiu-se de vermelho e ela começou a puxar o babado do vestido, mas... nenhuma palavra! — Três dia...

OLENKA - Conto de Anton Tchekhov

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OLENKA Anton Tchekhov (1860 – 1904)   Olenka, filha de Plemyanikov, assistente de colégio aposentado, estava sentada na escada dos fundos de sua casa sem fazer nada. O dia era quente, as moscas zuniam em volta dela, e era agradável pensar que a noite estava próxima. Nuvens escuras de chuva amontoavam-se a leste do céu, trazendo, de vez em quando, um hálito de umidade. Kukin, que morava na ala da mesma casa, estava em pé no meio do pátio, olhando para o céu. Era gerente do Tivoli, um teatro ao ar livre. — Outra vez! — exclamou em desespero. — Chuva outra vez! Chuva, chuva, chuva! Chuva todos os dias! Parece uma praga contra mim! Creio que seria melhor eu meter a cabeça num laço de corda e acabar com a vida de uma vez. Isto está me arruinando. Perdas enormes todos os dias.   Juntou as mãos num gesto dramático e continuou, dirigindo-se a Olenka: — Que Vida, Olenka Semyonovna! É para fazer um homem chorar. Um homem trabalha, faz o melhor que pode, tortura-se, passa...