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Mostrando postagens com o rótulo Conto Trágico

A CONSOLADORA - Conto - Catulle Mendes

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A CONSOLADORA Catulle Mendes (1841 – 1909) Tradução de Esmeralda (Séc. XIX) A cabeça pendida nas mãos e peito convulsionado pelos soluços, ele estava sentado à cabeceira do leito da agonizante. Ela, com os olhos semicerrados apresentava a rígida palidez dos cadáveres. Alta, branca, fria, deitada de costas com os cabelos soltos, a moribunda assemelhava-se a uma estátua estendida sobre o sarcófago de uma rainha. — Oh! Não te aflijas, meu querido — balbuciou a agonizante com a voz quase extinta. —Para que sofres tanto? Perdes-me, mas também eu te deixo, e não choro. É que eu sou uma pobre mulher ignorante: sou cristã. Sei que vou adormecer para dentro em pouco acordar. E quando surgir o eterno dia, encontrar-te-ei a meu lado como nas outras manhãs. Mesmo antes de Deus, hei de ver-te primeiro a ti. Desejo que partilhes esta inefável crença. Enxuga as tuas lágrimas, sorri. Dá-me um beijo: restituí-lo-ei amanhã. Ele não respondeu. Os soluços sufocavam-no. A agonizante prosseguiu, atr...

À TONA D'ÁGUA - Conto - Raul Pompeia

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À TONA D'ÁGUA (Microscópica) Raul Pompeia (1863 – 1895) I Há crepúsculos que parecem desmaios. Olha-se para cima e vê-se o firmamento pálido; o ocidente apresenta a expressão vaga do olhar da criança que se faz mulher e que sofre a transição. Parece que uma nota de espanto percorre a natureza… Segue-se depois a noite, a escuridão, o desfalecimento da luz. A alma compreende que a noite é uma ausência. Vai além: apalpa esta ausência. É deleitoso. Tem-se os olhos abertos e sonha-se. Os espetáculos são panoramas de fumaça; e sempre nessa confusão de escuros e meias sombras, destaca-se um ponto. Quem vê este ponto é o coração. Perguntem-no aos amantes. Rosália estava vendo um crepúsculo assim; e esperava ansiosa pela noite… à praia. II Resvala a canoa, macio como a nuvem à flor do céu… Rosália já está com ele. Só quem os vê é a noite. O remeiro canta distraído uma barcarola por trás do estofo que os encobre. E vão… III Trocam olhares que os prendem como elos de doces...

VIRGÍNIA - Conto Trágico - J. J. de S. S. Rio

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  VIRGÍNIA J. J. de S. S. Rio (Séc. XIX)   Maldito o seu furor, porque obstinado, e maldita a sua ira, porque inflexível. Gênesis   Prostrada ante uma imagem da Virgem, banhada em pranto o rosto, soltos os cabelos, e a mais viva aflição pintada no semblante, orava Virgínia, a inconsolável Virgínia, esperando a cada momento a infausta notícia da morte de seu amante, que nas trincheiras barateava a vida pela pátria, pelejava contra holandeses, defendendo a cidade de São Salvador. Em vão buscava a mãe tranquilizá-la; em vão; as palavras da velha não podiam levar a seu dilacerado coração a consoladora esperança, que perdida a tinha ela; mas, e ainda mal, mais e mais aumentavam-lhe a dor, mais e mais tornavam insuportáveis os seus sofrimentos. Ah! Que ela, moça e tão linda, tinha visto partir do Recôncavo da Bahia o seu querido Eugênio, na véspera desse dia em que lhe devia dar a mão de esposo, e firmar ante o altar os seus protestos de amores, em uma tarde d...

PROTESILAU E LAODÂMIA - Breve Narrativa Clássica Trágica - Caio Júlio Higino

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  PROSESILAU E LAODÂMIA Caio Júlio Higino (c. 64 a.C. – 17 d.C.)   Protesilau   Um oráculo advertiu os aqueus de que primeiro homem que chegasse à costa de Tróia morreria. Quando a frota grega se aproximou da costa, tendo os demais navios se atrasado, Iolau, filho de Íficio e Diomédia, foi o primeiro a saltar de sua nau, mas foi imediatamente morto por Heitor. Todos o chamavam de Protesilau, pois ele foi o primeiro grego a morrer em Tróia. Quando sua esposa Laodâmia, filha de Acastus, soube que ele havia morrido, chorou e implorou aos deuses para que pudesse falar com ele por três horas. O seu desejo foi concedido, e quando Mercúrio o trouxe, por três horas ela falou com o marido. Mas quando Protesilau pereceu pela segunda vez, Laodâmia não pôde suportar sua dor.   Laodâmia   Laodâmia, filha de Acasto, havia perdido seu marido e estava constantemente chorando e se lamentando. Assim, ela mandou fazer uma estátua de bronze, que representa...

O ALGOZ DE ESTRASBURGO - Conto Trágico - Charlotte de Sor

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O ALGOZ DE ESTRASBURGO Charlotte de Sor (Séc. XIX) Numa tarde em que Napoleão estava no seu palácio de Malmaison, cercado de toda a sua família, sucedeu recair o assunto sobre a princesa de Wurtemberg. O imperador então perguntou ao seu camarista que idade tinha o rei de Wurtemberg. — Frederico Guilherme, senhor, tem setenta anos. Nasceu em 1736, casou em 1780 com a princesa Carolina de Brunswich [1] , e enviuvou em 1788...   —Sim, enviuvou! — interrompeu o imperador. O tom com que ele proferiu estas palavras atraiu a atenção de todos os que estavam presentes. Seguiu-se um breve silêncio, que o imperador quebrou contando a seguinte história:   Aos 4 de outubro de 1788, quase pelas 8 horas da manhã, um homem se apresentou à porta de Dietrich, pretor de Estrasburgo. O criado, quando entrou no quarto onde estava seu amo, vinha pálido e aterrado.   —Que quer, Francisco?   —Senhor, procuram-no. —Quem é? Fale.   —É o verdug...