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Mostrando postagens de julho, 2026

OS LOUCOS - Crônica - Miguel Sawa

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OS LOUCOS Miguel Sawa (1866 – 1910) Tradução de autor anônimo do séc. XX   Saíram de Lugo dezessete dementes, condenados à pena de reclusão perpétua no manicômio de Valhadolide. Já no trem, os reclusos, depois de se examinarem, receosos, começaram a falar entre si. —Eu — disse um deles —, segundo os médicos, estou mal da cabeça. E não é verdade. Se gasto o dinheiro em farras é porque é meu. Bom suor me custou ganha-lo lá nas terras da América. Mas minha mulher foi queixar-se ao juiz de que eu a estava arruinando. E o juiz mandou chamar um médico para me examinar. E o médico, comprado pela minha mulher, declarou-me louco. E é por isso que me levam para o manicômio, é por isso. —Eu — disse outro —, não estou certo de minha razão. Surpreendi minha noiva falando tarde da noite com um homem e caí sobre ela. Ele fugiu covardemente, abandonando-a à minha ira, e eu me fartei de retalhá-la a golpes de navalha. Vieram os guardas e me prenderam. Eu chorava e ria a um só tempo e dava gritos e ...

PARÁBOLA DA TERRA JUSTA - Fábula - Máximo Gorki

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PARÁBOLA DA TERRA JUSTA Máximo Gorki (1868 – 1936) Tradução de autor anônimo do séc. XX   Houve um homem que só vivia por que se apegara à crença de que, em qualquer parte do globo, existia um país justo. E, por mais desgraçado que fosse, fossem quais fossem os sofrimentos que padecesse, ele tudo suportava evangelicamente em nome de sua fé. — Esperarei — dizia ele. — Quando tiver acabado de sofrer o meu bocado, acharei a terra justa . Uma convicção profunda da existência desse país, e da possibilidade de lá ir um dia, o sustentava. Certo dia, porém, à cidade por ele habitada chegou um sábio trazendo consigo muitos livros e muitos mapas; e o nosso homem de crença robusta na terra justa foi a ele e lhe pediu que procurasse em seus mapas o país em questão, indicando-lhe também o caminho que lá ia ter. O sábio desenrolou os seus mapas e pôs-se a procurar. Procurou uma, duas, repetidas vezes. Procurou com afinco e não o achou. Todos os países estavam assinalados, exceto o justo.  ...

O ENFORCADO - Conto - J.-H. Rosny

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O ENFORCADO J.-H. Rosny [Joseph-Henri-Honoré Boex (1856 – 1940) e Séraphin-Justin-François Boex (1859 – 1948)]     — Eu vegetava então — diz o professor Charlier — em uma obscura aldeia de Saint-Tonge. O governo pagava-me mil e cem francos por ano para ensinar a ler e a escrever uns quarenta rapazinhos. Não tendo para me empurrar para adiante nenhum personagem dotado do simbólico braço comprido, não via outro bastão de marechal além de um lugar de mil e oitocentos francos, seguido de uma minúscula remuneração. Era novo; a natureza tinha-me feito otimista; pairava no mundo das ilusões. As minhas infelicidades principiaram no dia em que caí enamorado da garota Lucette, a filha de Saboreaux, maire [1] da aldeia, proprietário de cinquenta hectares de terras, senhor de sete vacas, cinco bois, três cavalos, um rebanho de carneiros, uma vara de porcos grandes e pequenos, sem contar com uma boa reserva de dinheiro em metal sonante. Ele apreciava o seu valor e não o deixava ignorar a ...