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A AFILHADA DO NOIVO - Conto Trágico - Charles Nodier

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  A AFILHADA DO NOIVO Charles Nodier (1780 – 1844)   Um ano há que minhas pesquisas botânicas me levaram aos arredores duma pequena aldeia que não dista muito de Loudun. Uma mulher de cerca de quarenta anos encontrou-me na montanha e julgou que eu colhia ervas medicinais. Observei que ela tinha vontade de falar-me e, sem adivinhar o que podia inspirar-lhe esse desejo, fui o primeiro a travar conversação. Disse-me, então, que era muito infeliz, tendo uma filha moça, a sua única consolação, que estimava mais do que a si própria, e estava a ponto de perdê-la, pois os médicos a haviam desenganado. Depois, pediu-me, chorando, que a visitasse e não lhe recusasse socorros. Inútil teria sido escusar-me; e demais, para que lhe roubar o encanto desse momento de esperança, indenização estéril, mas tão suave, de muitos meses de incerteza e lágrimas? Caminhei, após ela, pelas floridas giestas e montas de tojos, até que chegamos à aldeia. Enfim, mostrou-me o limiar da cabana e eu ...

STELLINA - Conto Trágico - Benito Vicetto

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STELLINA (Balada) Benito Vicetto (1824 – 1878) Tradução de Paulo Soriano A poucas milhas de Nápoles há um castelo triste e sombrio, açoitado pelo vento e oculto por espessas névoas. Este colossal edifício — negro e gigantesco —, incrustado entre elevados rochedos, é o castelo de San Giovanni. O conde é o seu senhor absoluto. Um conde jovem e valente, como um donzel da Idade Média, soberbo e fogoso como seu alazão de batalha. O conde Rugiero tem uma irmã bela como um anjo de Lawrence [1] , como a Virgem da Glória de Rafael [2] . São duas horas da manhã. Nem uma luz brilha no céu e na terra. Todavia, não é completa a escuridão... Os morros e as planícies estão cobertos de neve e ao seu redobrado reflexo divisa-se a mais insignificante árvore, a mais oculta rocha. Esta claridade é tão sublime, tão estranha... Esta luminosidade magnífica, cheia de mistério e poesia, que não pertence nem ao Sol nem à Lua, nem ao crepúsculo nem à aurora, derrama sobre o castelo de San G...

O PEQUENINO - Conto Trágico de Guy de Maupassant

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O PEQUENINO Guy de Maupassant (1850 – 1893) O senhor Lemonnier ficara viúvo e com um filhinho. Amara loucamente sua mulher, com amor exaltado e terno, sem nenhum desfalecimento, durante todo o tempo em que haviam vivido juntos. Era um bom homem, na verdadeira acepção da palavra; simples, muito simples, sincero, sem desconfiança ou malícia. Sentindo-se apaixonado por uma vizinha pobre, pediu-a em casamento e desposou-a. Tinha uma loja de fazendas cujo comércio era muito próspero. Não ganhava mal e não tardou em ser atendido pela moça. Ela tornou-o feliz. Ele não via outra coisa no mundo, não pensando senão nela, olhando-a sem cessar com uns olhos de adorador ajoelhado. Durante as refeições, chegava a cometer mil desastres para não desviar o seu olhar daquele rosto querido, chegando a deitar o vinho no prato e a água no saleiro, pondo-se em seguida a rir como uma criança, repetindo: —Amo-te muito, vês; e isso faz-me cometer asneiras aos montões. Ela sorria, com ar...