UMA MÃO LAVA A OUTRA - Conto Humorísitco - Anônimo do séc. XX
UMA MÃO LAVA A OUTRA
Autor anônimo do séc. XX
Um advogado americano sem causas resolveu ir para o Far West tentar fortuna. Sem dinheiro, mas cheio de audácia, tomou lugar num trem de luxo que partia para Nashville, esquecendo-se, naturalmente, de comprar a respectiva passagem.
Mal o comboio deixou a estação, o condutor aproximou-se e pediu-lhe:
—Seu bilhete, por favor!
—Não tenho bilhete! Mas — acrescentou — faço parte da redação do Daily News de Nashville.
— Mostre sua carteira de jornalista!
—Oh! Diabo! Com a pressa, esqueci-me de trazê-la! — retrucou o passageiro, examinando os bolsos.
—Pois então o senhor tem de pagar a passagem, a menos que seja formalmente reconhecido pelo seu diretor, que se acha justamente no primeiro carro — intimou, categórico, o homenzinho.
E, sem mais delongas, seguiram ambos pelo corredor central que atravessa todos os trens americanos, e chegaram diante do poderoso diretor do Daily News, a quem o condutor explicou a situação irregular de seu redator.
O diretor, importante, lançou um olhar sobre o apresentado, como quem faz um reconhecimento, e hesitou um instante. Por fim, falou:
— Se o conheço? Creio que é o senhor Brown Smith, um dos melhores repórteres policiais, em via de passar a chefe de serviço…
— Exatamente! — respondeu o outro apressado.
O truque deu resultado e o advogado respirou aliviado do susto.
Chegado a seu destino, encontrou-se, ao sair da estação, com o diretor do Daily News e aproveitou a ocasião para agradecer o grande favor que lhe havia prestado.
—Que favor? — perguntou o interpelado.
—O de me haver reconhecido como sendo redator do seu grande jornal.
—E o senhor não é mesmo redator?
— Oh, não, infelizmente…
—Mas que coincidência! Eu também não sou o diretor do Daily News. Tinha embarcado sem bilhete, usando o nome dele, e estava com medo de que o senhor me pusesse a perder…
E abraçaram-se camaradamente.
Fonte: “Almanak Eu Sei Tudo”/RJ, 1941.
Ilustração: PS/Perchance.

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