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O POBRE DIABO - Narrativa Lendária - August Bondeson

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  O POBRE DIABO (Lenda sueca) August Bondeson (1854 – 1906)   Era uma vez um camponês que conduzia sua vaca para o pasto na primavera e orava a Deus para tê-la sob seus cuidados. O maligno estava sentado em um arbusto, ouviu o que o camponês dizia e disse a si mesmo: —Quando as coisas vão bem, eles agradecem a Deus; mas, se algo der errado, a culpa é sempre minha! Poucos dias depois, a vaca se perdeu em um pântano. E quando o camponês chegou e a viu, disse: — Olha só! O diabo aprontou das suas novamente! — Era exatamente o que eu esperava — pensou o demônio em seu arbusto.  Então o camponês foi procurar ajuda para a arrastar a vaca para fora do atoleiro. Nesse ínterim, o diabo saltou do arbusto e ajudou a vaca. Assim ele conjecturava: —Agora, finalmente, o camponês terá alguma coisa a me agradecer. Mas quando o camponês voltou e viu a vaca em terra firme, disse, aliviado: — Graças a Deus, ela saiu do atoleiro!   Versão em portu...

LAZARILHO DE TORMES - O EPISÓDIO DO CEGO - Anônimo do século XVI

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  LAZARILHO DE TORMES O EPISÓDIO DO CEGO Anônimo do séc. XVI Tradução de Paulo Soriano   Pois saiba Vossa Mercê, antes de tudo, que a mim me chamam Lázaro de Tormes, filho de Tomé González y de Antona Pérez, naturais de Tejares, aldeia de Salamanca. Deu-se o meu nascimento dentro do rio Tormes, razão por que tomei este sobrenome, e aconteceu assim: meu pai, que Deus o perdoe, era incumbido de alimentar a mó de um moinho, no qual foi moleiro por mais de quinze anos, situado à margem daquele rio. E estando a minha mãe grávida de mim, certa noite, no moinho, entrou em trabalho de parto e ali mesmo deu à luz; de maneira que, em verdade, posso me dizer nascido no rio.     Quando eu era um garoto de oito anos, acusaram o meu pai de certas sangrias malfeitas nos sacos que as pessoas traziam para moer. Por isso, foi preso e confessou, não negou e sofreu a perseguição da Justiça. Espero em Deus que esteja ele na Glória, pois o Evangelho nos chama de bem-aventura...

O OLHO DE VIDRO - Conto - Oscar Wilde

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O OLHO DE VIDRO Oscar Wilde   Certo ricaço, vítima de um ligeiro acidente de caça, ficou caolho. Mandou fazer um olho de vidro especial, um olho admirável e perfeito, em todo sentido digno de sua fortuna. O cristal mais puro e o esmalte mais fino faziam dele uma pequena obra de arte. Na água verde de sua pupila cintilavam chispas de ouro e a íris parecia profunda, viva e real.  O caolho experimentou-o diante do espelho e se sentiu tão satisfeito que quase se apaixonou por si mesmo. Quis consultar seu melhor amigo: —E então, perguntou-lhe, que achas de meu olho de vidro? O amigo respondeu sem entusiasmo: —É indiscutivelmente o melhor que se pode fabricar. — Como? Não te sentes maravilhado? Não achas que seja a própria vida? Quanto a mim, estou tão surpreendido que mal posso distinguir o falso do verdadeiro. Olha bem, olha bem e dize-me se vês qual é o artificial. —É este, respondeu o amigo sem vacilar. —E como o adivinhaste? —É o mais bonito. —Ah, está...

CRESO E CUPIDO - Conto - O. Henry

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  CRESO E CUPIDO O. Henry (1862 – 1910)   O velho Anthony Rockwall, fabricante aposentado e proprietário do sabão "Eureka de Rockwall", olhou pela janela da biblioteca de sua mansão na Quinta Avenida e fez uma careta. Seu vizinho da direita, o aristocrático G. Van Schuylight Suffolk-Jones, saiu de casa para tomar o carro que o esperava, enrugando o nariz, como sempre, quando, ao passar, observava o baixo relevo da renascença italiana que adorna a frente da casa de Rockwall. — Vai-te para o diabo, velho preguiço! — comentou o ex-Rei do Sabão. — Irás parar no museu de antiguidades, se te descuidas. No próximo verão, pintarei a casa de vermelho, branco e azul, e veremos se teu nariz de holandês pode levantar-se ainda mais alto. E Anthony Rockwall, que desdenhava as campainhas, foi até a porta da biblioteca e gritou: "Mike!" com o mesmo tom com que antes afugentava o gado nos prados de Kansas. — Diga a meu filho — disse Anthony ao criado que apareceu — que...

A JOIA ROUBADA - Conto - Anton Tchekhov

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  A JOIA ROUBADA Anton Tchekhov (1860 – 1904)   Machenka Pavlezkaya, jovem recém-sa­ída do pensionato, de volta do passeio, entra na casa de Cuchin, onde serve como governanta. O porteiro Mikail, que lhe abre a porta, está agi­tado e vermelho como um caranguejo.  “De cima vem um barulho esquisito. A patroa, com certeza, teve um ataque...”, pensa Machenka. “Ou então brigou com o marido.” Na antessala e no corredor, cruza as com mocinhas da casa, uma das quais chora. Aproximando-se de seu quarto, vê o dono, Nicolai Serguievitch, que dele sai a toda pressa. Não é um homem velho, mas tem a cara enrugada e ostenta uma vasta calva. Seu corpo estremece... Passa levantando os braços, e ex­clama, sem perceber a presença da governanta: — Que horror! Que falta de delicadeza! Tolice! Abominável! Machenka entra em seu quarto e, pela pri­meira vez na vida, experimenta o vivo senti­mento que sofrem constantemente as pessoas condenadas a depender de gente rica.  Ef...