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O ÓRFÃO - Conto de Guy de Maupassant

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O ÓRFÃO Guy de Maupassant Mlle. Source tinha outrora adotado esse rapaz em circunstâncias bem tristes. Ela contava, então, trinta e seis anos e sua deformidade (havia escorregado dos joelhos de sua ama para o fogão de inverno, quando criança, e todo seu rosto, horrivelmente queimado, ficou medonho) levou-a a não se casar, pois não queria que a desposassem pelo seu dinheiro. Uma vizinha, que tinha enviuvado quando prestes a ser mãe, morreu ao dar à luz, sem deixar um centavo. Mlle. Source recolheu o recém-nascido, deu-lhe ama, criou-o e o pôs num colégio interno, retomou-o aos catorze anos, a fim de ter em sua casa vazia alguém que a amasse, que cuidasse dela, que lhe tornasse a velhice suave. Ela morava numa pequena propriedade, no campo, a quatro léguas de Rénnes e vivia, então, sem criada. Tendo a despesa aumentado de mais do dobro depois da chegada desse órfão, seus três mil francos de renda já não eram suficientes para alimentar três pessoas. Ela mesma fazia o se...

O PEQUENINO - Conto Trágico de Guy de Maupassant

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O PEQUENINO Guy de Maupassant (1850 – 1893) O senhor Lemonnier ficara viúvo e com um filhinho. Amara loucamente sua mulher, com amor exaltado e terno, sem nenhum desfalecimento, durante todo o tempo em que haviam vivido juntos. Era um bom homem, na verdadeira acepção da palavra; simples, muito simples, sincero, sem desconfiança ou malícia. Sentindo-se apaixonado por uma vizinha pobre, pediu-a em casamento e desposou-a. Tinha uma loja de fazendas cujo comércio era muito próspero. Não ganhava mal e não tardou em ser atendido pela moça. Ela tornou-o feliz. Ele não via outra coisa no mundo, não pensando senão nela, olhando-a sem cessar com uns olhos de adorador ajoelhado. Durante as refeições, chegava a cometer mil desastres para não desviar o seu olhar daquele rosto querido, chegando a deitar o vinho no prato e a água no saleiro, pondo-se em seguida a rir como uma criança, repetindo: —Amo-te muito, vês; e isso faz-me cometer asneiras aos montões. Ela sorria, com ar...

AS SENHORAS - Conto de Anton Tchekhov

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AS SENHORAS Anton Tchekhov (1860 - 1904) F édor Petrovich, diretor das escolas primárias dos distritos , recebeu em seu escritório o professor Vermenski. — Impossível, senhor Vermenski! — disse-lhe. — Sua demissão é indispensável. O senhor não pode continuar como professor com uma voz assim. Como perdeu o seu tom natural? — Creio que por causa de uma garrafa de cerveja gelada que bebi quando estava muito suado. — Que desgraça! Por uma insignificância destas, toda uma carreira perdida! Catorze anos de magistério, não? — Sim, Catorze. — E que pensa fazer agora? O professor permaneceu em silêncio. — Tem família? — Sim, excelência. Mulher e dois filhos. O diretor começou a passear nervosamente de extremo a extremo da sala, evidentemente comovido. — Na verdade, não sei que farei com o senhor. Por um lado, não pode continuar como professor. Não tem direito à pensão... Por outro lado, lamentaria pô-lo na rua. Trabalhou durante quatorze anos e nosso dever é aju...

UM INCIDENTE NA VIDA DE MARIA STUART- Conto Histórico de Alexandre Dumas

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UM INCIDENTE NA VIDA DE MARIA STUART Alexandre Dumas (1802 – 1870) Logo depois dos primeiros dias de seu casamento, a rainha Maria da Escócia pôde julgar a que homem frívolo e inconsiderado havia, sobre aparências enganadoras, confiado a ventura de toda sua vida. Darnley era pior que mau: era fraco, irresoluto e assomado, de sorte que, não tendo a persistência e a dissimulação necessária para chegar a seu fim, queria fazê-lo por brutalidades ou surpresas. Naquela ocasião, o que ele ambicionava era alcançar a coroa matrimonial que Maria tinha concedido a Francisco II, porque, enquanto não fosse revestido dessa dignidade, que só Maria lhe podia conceder, ele não era realmente rei, mas somente marido da rainha. Ora, depois da experiência que ela havia feito de seu caráter, Maria estava resolvida a não ceder por pretexto algum a seus desejos. Darnley, que, em sua eterna mobilidade, não podia compreender como os outros tinham uma resolução firme e determinada, procurou, não ...