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Mostrando postagens com o rótulo Humor

O VOTO DO SENHOR VAN DEN TRUFF - Conto Humorísitico - Armand Silvestre

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O VOTO DO SENHOR VAN DEN TRUFF Armand Silvestre (1837 – 1901) Tradução de autor anônimo do séc. XX I O Sr. Van den Truff era um homenzinho baixo e gordo, de grandes suíças em forma de barbatanas, abdômen proeminente, pernas delgadas e tortas, e com um ar de importância que dava mesmo vontade de lhe encher a cara de bofetadas. O desastrado que lhe puxasse pela lingua ouvir-lhe-ia decerto mais futilidades do que bons conceitos, porque o pretensioso sujeito assemelha-se a um odre cheio de vento do que uma ânfora de vinho generoso. No entanto, como era um pedante enfatuado e todo presumido de ciência tudesca, o Sr. Van den Truff, na pequena cidade em que vivia, dava leis em política e passava pelo mais ativo agente das ambições germânicas d'além do rio Mosa. Estava sempre falando na Alemanha; na destruição das raças latinas que, a seu ver, tinham os seus dias contados; na necessidade de um império que aproveitasse a obra de Carlos Magno: e, finalmente, na prussificação de t...

AMÁ-LA-IA - Crônica Humorísitica - Júlio Portus Cale

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AMÁ-LA-IA Júlio Portus Cale E Coriolano Cerqueira, o gênio vivo de Arco da Ponte, concluiu o seu longo e erudito poema com o incisivo estribilho: “…Se eu vivesse Amá-la-ia!” Soaram os aplausos em torno do coreto da praça. E quem mais aplaudia era Chico Borbulha, exímio e tradicional morador de rua. Firmino Bento perguntou: — E aí, Chico. Gostou do poema? — E como, moço! Bão demais. —Gostou mesmo? Mas… por quê? — Porque é justo: a mala ficou com o pobrezinho do defunto…  

UMA RAPARIGA APRESSADA - Crônica - Catulle Mendes

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UMA RAPARIGA APRESSADA Catulle Mendes (1841 – 1909) Tradução de Humberto de Campos (1886 – 1934) A honesta avozinha começou primeiro por dar um par de bofetadas na pequena desavergonhada, e, depois, enquanto a rapariga chorava a bom chorar, vermelha como uma papoula, fez-lhe este discurso: — É, pois, verdade, teres um amante? E confessas, ousas confessar? Um amante! E só com dezesseis anos! Com os olhos baixos, o arzinho modesto, parece que não quebras um prato, e chegaste já a esse ponto no deboche e no cinismo! Quem te visse julgaria só em bonecas ou num bebê japonês e, afinal, a boneca que a menina tinha na cabeça é um homem! Que vergonha! É para uma pessoa fugir, meter-se pelo chão abaixo! Como? Foi essa a educação que recebeste? Não tendo na família senão bons e virtuosos exemplos, como pudeste cometer uma falta tão grande? É preciso, palavra de honra, que tivesses o diabo no corpo! Mas o que mais exasperava a avó era ter a Luisinha conseguido enganá-la, apesar da v...

SELETA DO LIVRO DOS CHISTES - Historietas Humorísticas Renascentistas - Luis de Pinedo

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SELETA DO LIVRO DE CHISTES Luis de Pinedo (Séc. XVI) Tradução de Paulo Soriano Estando a corte em Toledo, o doutor Villalobos entrou numa igreja para ouvir a missa e se pôs a rezar num altar da Quinta Angústia. Enquanto orava, passou junto a ele uma senhora de Toledo, que se chama dona Ana de Castilla. Tendo-o visto, disse: — Leva-me para longe desse judeu 1 que matou o meu marido! E assim falou porque Villalobos o havia tratado de uma enfermidade da qual morreu. Um moço chegou-se ao doutor Villalobos pressurosamente, dizendo-lhe: — Senhor, pelo amor de Deus, rogo-lhe que visites o meu pai, que está muito mal! Respondeu-lhe o doutor Villalobos: — Irmão, não vês que aquela, que ali segue, vai vituperando-me e chamando-me de judeu, porque matei o seu marido? E apontando para o altar, prosseguiu: — E esta, que está aqui, permanece chorando, cabisbaixa, porque diz que lhe matei o filho. E ainda queres que eu vá agora matar o teu pai? * Um gentil-homem estava enamorado...