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Mostrando postagens com o rótulo Poema em Prosa

OFÉLIA - Poema em Prosa - Sarainés Kasdan

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  OFÉLIA Sarainés Kasdan Tradução de Paulo Soriano A morte chegou a destempo, como se fosse uma amante resignada e abatida. Não a esperava o salgueiro, com seus galhos abertos; não a esperava a tarde, silente e pacífica; não a esperavam as flores brancas, vermelhas e amarelas. E, claro, nem Ofélia por ela esperava quando seu corpo se rendeu ao riacho de águas cristalinas. Tudo isso aconteceu enquanto a tarde fenecia junto a um salgueiro de galhos abertos, um salgueiro-chorão de folhas cinzentas, um salgueiro que oferecia suas folhas de outono à corrente cristalina. Naquela tarde, Ofelia visitou o salgueiro e o riacho. Levava consigo um buquê de flores brancas, vermelhas e amarelas; pendurou o buquê em um galho quebradiço, um galho invejoso a ponto de partir-se, um galho moribundo que, quando se quebrou, levou consigo folhas cinzentas, flores brancas, vermelhas e amarelas, e um corpo feminino e um ramo, em meio ao assombro do riacho cristalino. Ela poderia se ter le...

LAMENTO - Poema em Prosa - Charlotte Brontë

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  LAMENTO Charlotte Brontë (1816 – 1855) Tradução de Paulo Soriano   Há muito tempo, desejei deixar a casa onde eu nasci e costumava sofrer. Minha casa parecia tão abandonada! Outrora, os seus cômodos silenciosos estavam repletos de medos assombrosos. Mas, agora, a sua memória cobre-se de ternas lágrimas. Conheci a vida e o casamento, que, noutros tempos, eram tão fulgurantes. Mas, presentemente, vejo que se esvaiu cada raio de luz! No mar desconhecido da vida, eu não encontrei ilha abençoada. Mas, finalmente, por sobre as suas ondas selvagens, o meu barco volta para casa. Adeus, profundidade sombria e ondulante! Adeus, estranhos litorais! Abri, em amplas nuvens, o vosso glorioso reino! Malgrado eu tenha conseguido passar, em segurança, o ora cansado, ora tumultuoso rio, uma voz amada, ente ondas e rajadas, poderia chamar-me de volta. Numa manhã resplandecente, vívida na alma, erguer-se-ia, sobre o meu Paraíso, William. Mesmo do repouso do Céu, eu voltaria...

VENTO NOTURNO - Poema em Prosa - Emily Brontë

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  VENTO NOTURNO Emily Brontë (1818 – 1848) Tradução de Paulo Soriano   Na suave meia-noite de verão, a Lua — desgarrada das nuvens — brilhava por detrás da janela aberta da nossa sala e das roseiras banhadas pelo orvalho. Sentei-me a pensar, em silêncio; o suave vento agitava-me os cabelos. Dizia-me ele que o céu era glorioso, e que justa era a terra adormecida. Não precisei de seu alento para que me viessem tais pensamentos. Mas o vento ainda assim sussurrava, bem baixinho: — Quão sombrios estão os bosques! Com o meu murmúrio, estão as grossas folhas a farfalhar, como num sonho, e esta miríade de vozes semelha um vívido instinto!   —Vai, gentil cantor — disse eu. — É gentil o teu cortejo. Mas não penses que a tua música pode penetrar-me a mente. Brinca com a flor perfumada, com ramo flexível da jovem árvore, mas deixa que os meus sentimentos, humanos que são, estejam a fluir em seu próprio curso. O vagabundo não me deu ouvidos. E ainda mais cálido tor...