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Mostrando postagens com o rótulo Conto Tradicional

O DILÚVIO - Narrativa Tradicional Indígena - Clemente Brandenburger

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O DILÚVIO (Narrativa tradicional indígena) Clemente Brandenburger (1879 – 1947)   Contam que, antigamente, foi assim que o mundo se acabou. Uma vez, ouviu-se ruído por cima e por baixo da terra. Dizem que o Sol e a Lua, como agouro, ficaram vermelhos, azuis e amarelos. A caça misturou-se com a gente sem ter medo, isto é, as onças e todos os animais ferozes. Um mês depois, ouviu-se um estrondo maior. Viram, então, que as trevas iam da terra ao céu, com trovoada e grande chuva, esmigalhando o dia e a terra. Perderam-se uns, outros morreram, sem ver porquê; contam que estava tudo muito feio.  As águas então cresceram muito, e dizem que submergiram a terra, ficando só de fora os galhos das grandes árvores. Para aí subiu o povo, mas morreu de fome e de frio, pois choveu todo o tempo da escuridão. Escaparam somente Uaçu sua mulher Sofará. Quando desceram, não acharam dos outros nem os cadáveres, nem os ossos. Depois disso, os índios imaginaram: — Será bom, talvez, fazer as nossas ca...

OS QUATRO SURDOS - Conto - Vladmir Odoevsky

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OS QUATRO SURDOS (Conto Indiano) Vladmir Odoevsky (1803 – 1869) Não muito longe da aldeia, um pastor pastoreava as suas ovelhas. Já passava do meio-dia e o pobre pastor estava com muita fome. É verdade que, ao sair de casa, ele pediu à esposa que lhe levasse o café da manhã, mas a mulher, como se de propósito, não o fez. O pobre pastor atirou-se aos pensamentos. Sabia que não poderia voltar para casa, já que não poderia deixar o rebanho à própria sorte, sujeito aos ladões. E nem lhe parecia uma alternativa plausível — decerto pior —permanecer onde estava, já que a mordida fome lhe seria um tormento. Olhando para um lado e para o outro, finalmente viu o vigia da aldeia, que ceifava a relva para alimentar a sua vaquinha. Aproximando-se, disse-lhe o pastor: — Por favor, querido amigo, cuide para que meu rebanho não se disperse. Irei para casa tomar o desjejum e depois voltarei imediatamente para cá. Se me ajudares, recompensar-te-ei generosamente pelo teu favor. Parece agira o...

COMO A NOITE APARECEU - Narrativa Indígena - Clemente Brandenburger

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  COMO A NOITE APARECEU Clemente Brandenburger (1879 – 1947) No princípio, não havia noite — dia somente havia em todo o tempo. A noite estava adormecida no fundo das águas. Não havia animais, mas todas as coisas falavam. A filha da Cobra Grande, contam, casara-se com um moço. Este moço tinha três criados fiéis. Um dia, chamou ele os três fâmulos e disse-lhes: — Ide passear, porque nós agora vamos dormir. Os criados foram-se e então ele chamou sua mulher para se item deitar. A filha da Cobra Grande respondeu-lhe: — Ainda não é noite. Disse-lhe o marido: — Não há noite; somente há dia. A moça respondeu: — Meu pai tem noite. Se queres dormir manda lá buscá-la, pelo grande rio. Chamou o marido os três fâmulos; mandou-os a moça à casa de seu pai, para trazerem um caroço da palmeira tucumã. Foram os criados, chegaram em casa da Cobra Grande, esta lhes entregou um coco de tucumã, muito bem fechado, e disse-lhes: — Aqui está; levai-o. Eia! Não o abrais, ...

A VERDADE E A MENTIRA - Conto Tradicional Judaico

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  A VERDADE E A MENTIRA (Conto tradicional judaico)   Diz a lenda que, certo dia, a Verdade e a Mentira se encontraram. — Bom dia — disse a Mentira. — Bom dia —respondeu a Verdade. — Faz um belo dia — continuou a Mentira. A Verdade, então, cuidou de verificar a certeza daquela afirmação. E viu que era certo o que dissera a Mentira. —Faz um dia lindo —respondeu a Verdade. — O lago está ainda mais bonito! — disse a Mentira, com um sorriso encantador. A Verdade olhou para o lago e viu que a Mentira estava certa. Concordou com a cabeça. A Mentira correu para a água e disse: — A água está maravilhosa e bem quente. Vamos dar um mergulho! A Verdade tocou na água com os dedos. Estava mesmo maravilhosa e quentinha. Por tudo isto, a Verdade confiou na mentira.  Tiraram ambas as suas vestes e nadaram tranquilamente. Um pouco mais tarde, a Mentira saiu, vestiu sorrateiramente a roupa da Verdade e foi-se embora. A Verdade, não podendo vestir a roupa da Mentira, pôs-se a vagar despida....