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O PROPICIADOR DO BEM - Conto Alegórico - Oscar Wilde

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O PROPICIADOR DO BEM Oscar Wilde Tradução de autor desconhecido do início do séc. XX Era de noite e Ele estava só. Divisou, ao longe, os muros de uma cidade circular e caminhou para a cidade. Aproximando-se, ouviu, na cidade, grande algazarra de alegria e risos de prazer, juntos com o som estridente de numerosos alaúdes. E bateu à porta e abriram-lhe. Viu uma casa, que era de mármore, com belas colunas de mármore na fachada. As colunas estavam cobertas de grinaldas e, tanto dentro como fora, ardiam troncos de cedro. E Ele entrou na casa de mármore. Quando, depois de atravessar a sala de calcedônia e a sala de jaspe, chegou à grande sala dos festins, viu, estendido sobre um leito de púrpura, alguém cuja cabeleira estava coroada de rosas vermelhas e cujos lábios estavam vermelhos de vinho. Passou por detrás dele, tocou-lhe no ombro e disse-lhe: — Por que levas essa vida? O rapaz voltou-se, reconheceu-o, e respondeu, dizendo: — Então… Noutro tempo, eu era um leproso e tu ...

A ÓRFÃ DAS PRISÕES - Narrativa Verídica - Autor anônimo do séc. XIX

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  A ÓRFÃ DAS PRISÕES Autor anônimo do séc. XIX No tempo do terror, habitava em Paris a princesa Fanny Lubomirska 1 , tão ilustre pelo seu nascimento como pela sua beleza; entregue unicamente ao cuidado de educar Rosália 2 , sua filha única, então de cinco anos de idade, ela se julgava protegida pelas leis sagradas do direito das gentes; mas, denunciada ao comitê revolucionário como conspiradora contra a republica, foi apresentada perante o tribunal; dentro de poucos dias foi condenada à morte. Rosalia (Fanny) Lubomirska (mãe) Quando estava na prisão, tinha consigo sua filha. No dia que esta desgraçada mãe foi levada ao cadafalso, recomendou Rosália às suas companheiras de infortúnio; mas estas, tendo sofrido a mesma sorte, deixaram Rosália a outras, e assim, transmitida de vítima em vítima, foi adotada pela lavadeira da cadeia. Esta mulher, compadecida pelo desamparo da pobre criança, ajuntou este sexto filho aos cinco de que era mãe, e veio a ser a providência da órfã das...

A ASTÚCIA DA VELHA SENHORA - Anedota - Autor anônimo do séc. XXI

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A ASTÚCIA DA VELHA SENHORA Autor anônimo do séc. XXI Uma senhora idosa vai até uma agência bancária para fazer um saque. Entrega seu cartão bancário ao caixa e diz: — Gostaria de sacar € 10, por favor. — Para saques inferiores a € 100, use um caixa eletrônico — disse-lhe o caixa. — Posso saber por que motivo? — Este é o regulamento, senhora. Por favor, tem gente atrás da senhora esperando. Saia da fila, por gentileza, se não tiver mais nada a perguntar — respondeu o caixa, devolvendo-lhe o cartão. A velha senhora fica em silêncio por alguns instantes; depois, devolve o cartão ao caixa, dizendo: — Quero, então, retirar todo o dinheiro da minha conta. O caixa fica surpreso ao verificar o saldo da velha senhora e lhe diz: — A senhora tem € 500.000 em conta, mas o banco não tem esse montante no momento. Pode voltar amanhã? Friamente, a senhora pergunta: — Quanto posso sacar agora? — Qualquer quantia até € 3000 — responde-lhe o caixa. — Então, por favor, entregue-me € 3000...

O LOUCO AVISADO - Narrativa Clássica Humorística - Gonzalo Correas Íñigo

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O LOUCO AVISADO Gonzalo Correas Íñigo (1571 – 1631) Tradução de Paulo Soriano Em Chinchilla, localidade perto de Cuenca, havia um louco que, persuadido pelos folgazões, levava um cacete sob o traje. Quando chegava um forasteiro, achegava-se a ele dissimuladamente, perguntando-lhe de onde era e a que vinha. Dava-lhe, então, três ou quatro bordoadas, com o que os outros se riam, e depois apaziguava-os com a escusa de que era louco. Um homem de La Mancha chegou a Chinchilla e, na estalagem, teve notícia do que fazia aquele louco. Então, prevenindo-se com um porrete, acomodado sob a capa, foi à praça, disposto a realizar o que tinha de fazer. Chegando o louco, o homem de La Mancha avançou sobre ele e lhe deu uma boa sova, com o que o fez fugir, a gritar: — Cuidado, pessoal, que há outro louco em Chinchilla!   

UM SEGREDO DE MOÇA - Conto - Julia Kavanagh

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UM SEGREDO DE MOÇA Julia Kavanagh (1824 – 1877) Tradução de autor desconhecido do séc. XIX Havia muito que minha prima me pedia que fosse vê-la. Afinal, aceitei, mas com algum pesar. Tratava-se de ir passar algumas semanas com a Sra. Le Tellier numa propriedade que ela possuía nos confins da Normandia, e onde eu nunca unha ido. Senti uma espécie de tristeza em deixar o meio tranquilo em que, vai em vinte anos, gozo de um viver tão doce. Uma mulher que não se casou, que não tem os laços da fama, depressa envelhece na solidão. Foi o que eu percebi quando tive que me pôr a caminho, e confesso que sempre me arrependi da viagem a que devo a única aventura romanesca da minha vida. Parti com um tempo medonho: chuva toda a manhã. Ainda chovia quando chegamos, já tarde, à estação de…, onde me esperava a carruagem da Sra. Le Tellier. A estrada que conduzia à propriedade de minha prima atravessava vastas planícies de aspecto sombrio e triste. A chuva tinha parado, mas os últimos raios ...

A RECEITA - Crônica - Catulle Mendes

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A RECEITA Catulle Mendes (1841 – 1909) Tradução de autor desconhecido do séc. XIX No camarim cor do rosa e malva, por cujas cortinas mal penetrava a luz, a gentil viscondessa de Belvélise, um tanto pálida, com uns ares de moribunda, estava deitada, toda coberta de rendas, sobre uma chaise longue . Os seus pesinhos nus, de calcanhares rosados, saem a meio das chinelas de pérolas. Junto dela, o médico da moda, jovem, lindo, de umas maneiras de estrangeiro, com as compridas mãos, apalpava-lhe o pulso por baixo das rendas da manga. — É grave, não, doutor? — disse ela, com um gracioso estremecimento que parecia de febre. — Muito grave, disse ele. — Eu estou certa de que é uma languidez o que sofro. — Exatamente. — E qual é a causa da moléstia? — Eu creio, minha senhora, que há duas causas. — Duas? O Sr. me faz medo. Quais? Diga depressa. Ele pareceu hesitar; no entanto, sorria. — E então, senhor, quais são essas causas? — São — respondeu ele afinal, em voz baixa — os seus ...

NATAL, PALAVRA MÁGICA - Conto - Wessel Smitter

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NATAL, PALAVRA MÁGICA Wessel Smitter (1892-1951) Tradução de autor anônimo do séc. XX Esta é a história de Hugh Glass, uma história verdadeira de indominável coragem; do poder da vontade contra obstáculos quase invencíveis e é, também, a história do Natal, da mágica força de uma simples palavra, que transformou no perdão a mais ardente sede de vingança. No verão de 1823, o major Henry conduzia uma expedição, a oeste do rio Missouri, composta de uns 80 homens. No entardecer de um dia de julho, dois deles foram enviados para a frente, à escoteira, a fim de escolherem lugar para o acampamento, naquela noite. Ao lado de um regato, os dois batedores encontraram Hugh Glass, o caçador, horrivelmente mutilado. Um lado do seu rosto fora arrancado e, na perna esquerda, acima do joelho, o osso aparecia. Perto da corrente, via-se um urso pardo, morto. A expedição deixara São Luís, na primavera, para apanhar ursos em armadilhas nas Montanhas Rochosas, repletas de índios. Glass, um gigante, n...