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CRESO E CUPIDO - Conto - O. Henry

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  CRESO E CUPIDO O. Henry (1862 – 1910)   O velho Anthony Rockwall, fabricante aposentado e proprietário do sabão "Eureka de Rockwall", olhou pela janela da biblioteca de sua mansão na Quinta Avenida e fez uma careta. Seu vizinho da direita, o aristocrático G. Van Schuylight Suffolk-Jones, saiu de casa para tomar o carro que o esperava, enrugando o nariz, como sempre, quando, ao passar, observava o baixo relevo da renascença italiana que adorna a frente da casa de Rockwall. — Vai-te para o diabo, velho preguiço! — comentou o ex-Rei do Sabão. — Irás parar no museu de antiguidades, se te descuidas. No próximo verão, pintarei a casa de vermelho, branco e azul, e veremos se teu nariz de holandês pode levantar-se ainda mais alto. E Anthony Rockwall, que desdenhava as campainhas, foi até a porta da biblioteca e gritou: "Mike!" com o mesmo tom com que antes afugentava o gado nos prados de Kansas. — Diga a meu filho — disse Anthony ao criado que apareceu — que...

A JOIA ROUBADA - Conto - Anton Tchekhov

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  A JOIA ROUBADA Anton Tchekhov (1860 – 1904)   Machenka Pavlezkaya, jovem recém-sa­ída do pensionato, de volta do passeio, entra na casa de Cuchin, onde serve como governanta. O porteiro Mikail, que lhe abre a porta, está agi­tado e vermelho como um caranguejo.  “De cima vem um barulho esquisito. A patroa, com certeza, teve um ataque...”, pensa Machenka. “Ou então brigou com o marido.” Na antessala e no corredor, cruza as com mocinhas da casa, uma das quais chora. Aproximando-se de seu quarto, vê o dono, Nicolai Serguievitch, que dele sai a toda pressa. Não é um homem velho, mas tem a cara enrugada e ostenta uma vasta calva. Seu corpo estremece... Passa levantando os braços, e ex­clama, sem perceber a presença da governanta: — Que horror! Que falta de delicadeza! Tolice! Abominável! Machenka entra em seu quarto e, pela pri­meira vez na vida, experimenta o vivo senti­mento que sofrem constantemente as pessoas condenadas a depender de gente rica.  Ef...

A VINGANÇA DE MICHELANGELO - Narrativa Histórica - Anônimo do séc. XIX

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  A VINGANÇA DE MICHELANGELO Anônimo do séc. XIX   Enquanto Michelangelo pintava o seu sublime quadro do Juízo Final na capela Sistina, o papa Paulo II foi um dia visitá-lo. O séquito do pontífice era numeroso, e muitos daqueles que o compunham eram incapazes de compreender e apreciar a obra de gênio do grande pintor. Entre estes achava-se o mestre de cerimônias do sacro palácio, cardeal de Cesena. O papa perguntou-lhe o que pensava desta pintura; e como um cardeal não é de direito homem de gosto e bom juiz em matéria de artes, o senhor de Cesena respondeu prontamente que uma tal pintura seria própria, quando muito, para ornar a sala de uma hospedaria, mas não uma igreja. Os artistas amam muito pouco a crítica, e nem sempre desgostam da vingança. A de Michelangelo não se demorou muito tempo. O cardeal teve um lugar no quadro no meio dos condenados: uma grande serpente o cinge e lhe devora o pênis; a sua cabeça está enfeitada com um par de orelhas de burro, sem dúvida...

O GOVERNADOR E O ESCRIVÃO - Conto de Washington Irving

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  O GOVERNADOR E O ESCRIVÃO Washington Irving (1783 – 1859) Tradução de Paulo Soriano   Antigamente, governava Alambra um velho e intrépido cavaleiro que, por haver perdido um braço na guerra, era comumente conhecido pela alcunha de El Gobernador Manco , ou seja, “O Governador Maneta”. De fato, sentia-se orgulhoso de ser um velho soldado, usava bigodes torcidos que lhe chegavam aos olhos, um par de botas de campanha e uma espada de Toledo do tamanho de um espeto, com um lenço de bolso amarrado na guarda da empunhadura. Ele era, além disso, extremamente orgulhoso e meticuloso, cioso de sua dignidade e de todos os seus privilégios. Sob seu domínio, as imunidades da Alambra, como residência e domínio real [1] , eram rigorosamente cumpridas. Ninguém tinha permissão de entrar na fortaleza com armas de fogo, ou mesmo com uma espada ou bastão, a menos que se tratasse de pessoa de certa distinção. E todo cavaleiro era obrigado a desmontar no portão e conduzir seu cavalo pe...

IRMÃ TERESA - Conto de Humberto de Campos

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  IRMÃ TERESA (Sobre um Conto de Lafontaine) Humberto de Campos (1886 – 1934)   O Convento da Graça, erguido naquele outeiro florido, servia principalmente para abrigar mocinhas que, desde criança, haviam mostrado vocação para a vida religiosa. Era, por isso, um jardim de açucenas, um recanto de pureza, um ninho de candura, em que não penetrara, jamais, a ideia do pecado. E foi quando lhe foi bater à porta, o rosto pálido, os olhos macerados, aquela maravilhosa figura de mulher, confessando à superiora a sua situação:   — Eu fui, madre, uma grande pecadora. A minha mocidade foi consumida toda no prazer e no pecado. Agora, porém, reconheci o meu erro, e quero tornar, definitivamente, ao caminho da perfeição, através da penitência!   Comovida por tanta sinceridade, a madre superiora abriu-lhe os braços e a porta do casarão votado a Deus, e nunca se viu, no convento, noviça, ou freira, que mais se aprofundasse na oração. Dia e noite, passava-os irmã Teresa...

É MELHOR CALAR - Anedota - Anônimo do séc. XX

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  É MELHOR CALAR Anônimo do séc. XX   O Duque de Wellington, famoso vencedor de Waterloo, era tão severo que muitas vezes chegava a ser injusto, fazendo jus à má vontade dos soldados. Certa vez, à tarde, quando fazia, a sós, uma ronda, caiu em um canal e teria morrido afogado se não fosse a presença do espírito de um soldado, que a tempo se atirou à água e o salvou. Reposto do susto, o duque perguntou-lhe  o que desejava como recompensa. — A única coisa que desejo é que não diga nada sobre o acontecido, Sir. — Ora, ora! — exclamou Wellington.  — É a primeira vez que encontro uma modéstia e um  desinteresse tão perfeitos! — Oh, nada disso! — respondeu o soldado. — O caso é que se meus companheiros souberem que o salvei da morte, certamente me atirariam ao canal.   Fonte: A Noite Ilustrada, edição de 23 de janeiro de 1945.

O PRISIONEIRO DE MÔNACO - Conto de Liev Tólstoi

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  O PRISIONEIRO DE MÔNACO Liev Tólstoi (1828 – 1910)   Há cerca de cinco anos, houve um crime no principado. A cidade de Mônaco é pacífica e tal coisa jamais havia acontecido. Os juízes se reuniram para julgar o assassino. No tribunal havia juízes, promotores, advogados e jurados. No julgamento, condenaram o acusado, de acordo com a lei, à pena extrema: à decapitação. Apresentaram a sentença ao príncipe, que a confirmou. Restava apenas executar o criminoso. O infelizmente, não havia guilhotina ou carrasco no principado. Depois de muito meditar, os ministros decidiram escrever ao governo francês, perguntando este poderia enviar uma máquina de morte e o carrasco para cortar a cabeça do criminoso. Ao mesmo tempo, pediram que os informassem, se possível, sobre os custos que isso implicaria. Uma semana depois, receberam a resposta: eles poderiam enviar a guilhotina e o carrasco: as despesas seriam dezesseis mil francos. Participaram ao príncipe a resposta do governo franc...